01/04/2012

Taxidermia


Objetivos


A Taxidermia tem como principal objetivo, o resgate de espécimes descartados, reconstituindo suas características físicas e, às vezes, simulando seu habitat, o mais fielmente possível.


A Taxidermia atende à diferentes públicos como donos de animais domésticos, pescadores e caçadores desportistas, criadouros de animais comerciais, bem como museus de história natural, entidades conservacionistas, zoológicos, universidades e mais recentemente o teatro e a televisão.


A Taxidermia é um procedimento exercido por biólogos, que envolve conhecimentos de diversas áreas além da Biologia, como: Química, Anatomia, Comportamento, Ecologia, Artes Plásticas, entre outras. É uma técnica aplicada somente em animais vertebrados e seus registros mais antigos remontam ao império egípcio, a cerca de 2.500 A.C.


Popularmente o termo "empalhar” já foi usado como sinônimo de “taxidermizar” entretanto há muito tempo não se usam mais os rústicos manequins de palha e barro para substituir o corpo dos animais. 


1. PROCESSOS DE PREPARAÇÃO


1.1 Peixes
1.1.1 Cuidado para não cortar a pele do peixe na hora de embarcá-lo. Embarque-o com auxílio de um puçá, não utilizando o bicheiro que perfure a pele do exemplar;
1.1.2 Manuseie pouco o peixe para não danificar as nadadeiras que possuem película e espinhos delicados entre os raios;
1.1.3 Não retire do peixe as vísceras, as escamas, as brânquias e os barbilhões;
1.1.4 Envolva o peixe em toalha úmida, congelando-o o mais rápido possível. Não coloque nada sobre ele, nem guarde com outro na mesma toalha;
1.1.5 Para um resultado melhor, logo que retirá-lo da água, fotografe o peixe em posição lateral(se possível), procurando dar maior ênfase a cor de olhos e ocelos. A coloração dos detalhes típicos de cada espécie é de suma importância na fase de montagem e acabamento quando ficarão registrados para sempre.


1.2 Anfíbios, Répteis, Aves e Mamíferos de pequeno e médio porte
1.2.1 Em primeiro lugar coloque um chumaço de algodão na boca e no ânus para evitar que sangue e excrementos venham a danificar o animal (caso aplicado mais a aves e mamíferos);
1.2.2 Envolva o exemplar em uma folha de jornal, acondicionando-o da melhor forma possível (por exemplo dobrando para junto do corpo o pescoço e cauda) e logo em seguida coloque em um saco plástico e congele imediatamente.


1.3 Mamíferos de grande porte


1.3.1 Cape

a- Faça uma incisão no centro de cada um dos chifres (parte posterior) as quais se encontrarão em triângulo e seguirão em corte único até mais ou menos 10 cm após as patas dianteiras. 
b- Corte as cartilagens das orelhas na base do crânio e tome muito cuidado nos cortes dos olhos, canais lacrimais, do nariz, da boca e lábios.
c- Nos olhos, passe o dedo na abertura da parte externa, para assegurar que o corte não danifique a pele fina em torno dos olhos, removendo toda a membrana possível para a penetração do sal.
d- No nariz, corte o mais profundo possível os sulcos . Depois na aplicação do sal, remova os excessos.
e- Na boca e lábios, corte a membrana o mais próximo possível dos dentes.
f- Após a pele do cape retirada (Fig.3), lave-o deixando escorrer o excesso de água. Coloque a "máscara" do lado avesso ( lado da carne ) completamente envolvida por sal grosso durante aproximadamente 24 horas, onde esta estará em uma prancha com inclinação de 45o.
Após o período citado, retire o excesso de sal, dobre orelhas e cabelos para dentro, enrolando o cape, envolvendo em sacos plásticos e congelando-o, podendo agora seguir viagem de longas distâncias.


OBS: Nos locais de retirada da pele, onde o número de insetos for grande, sugere-se a pulverização com inseticida.


1.3.2 Crânio e chifres
a- O crânio como indicado poderão ser serrados. Em seguida é necessário remover toda a carne e salgar o crânio.
b- Quando se pretender o aproveitamento total do crânio , iniciaremos um processo de cozimento do mesmo emergindo-o até a base dos chifres para a remoção do excesso de carne. O cozimento deverá ser feito de maneira cautelosa para não danificar o crânio, deverá simplesmente retirar os excessos para o transporte.


1.3.3. Corpo inteiro
a- Faça uma incisão na parte ventral do exemplar na altura do peito até o início da cauda. Logo após faça uma incisão percorrendo o centro das patas dianteiras e traseiras para que se encontrem com a incisão central. 
b- Quando o desprendimento da pele chegar ao pescoço, deveremos seguir os mesmos passos que o CAPE (somente nos animais com chifre) fazendo a incisão central chegar até a base do maxilar inferior e aí sim removeremos toda a pele pela parte dianteira do exemplar, até chegar aos chifres ou cornos, fazendo como no CAPE o desprendimento do couro do chifres ou cornos pela parte dorsal do pescoço (Fig. 2). Nenhuma incisão traseira é feita no caso de Canídeos e Felídeos.
c- É importante remover todo o excesso de carne gordura antes de salgar a pele, o procedimento de preparação e embalagem ocorrerá da mesma forma que o CAPE.
d- Nas espécies de Canídeos e Felídeos, a incisão central do peito, segue somente até o início do pescoço e a incisão que percorre as patas, deverá chegar até as almofadas dos pés.




2. PRECAUÇÕES:


2.1 Peles grossas


A penetração de sal ocorre em uma espessura máxima de 5mm (1/4 de polegada), por isso alguma orientações são necessárias, assim como:


a- o transporte feito o mais rápido possível para a preparação do material;
b- o congelamento imediato;
c- cortes transversais e paralelos, em toda a parte interna da pele (cuidado para não chegar ao pêlo), antes da salga;
d- afinar a pele para que o sal consiga agir.


2.2 Com a preparação de materiais


2.2.1. Crânios & Chifres


a- Crânios fervidos em excesso que chegam completamente frágeis ou em partes.
b- Nos predadores a falta de dentes. Crânios e chifres sem etiquetas ou não identificados.
c- Crânios mal fervidos, contendo vermes ou mau cheiro.


2.2.2 Peles para Capes ou Corpo Inteiro


a- Peles sem etiquetas ou identificados incorretamente.
b- Utilização de sal grosso sujo ou de má procedência ou insuficiente.
c- Orelhas, lábios, olhos, e bordos cortados incorretamente.
d- Sangue na pele e pêlos.
e- Gordura nas peles.
f- Tempo excessivo de espera para a preparação.
g- Insetos que podem danificar as peles.


OBS: Os procedimentos citados acima exigem cuidados e técnica, para que seu exemplar seja bem aproveitado. Em caso de dúvidas, consulte o taxidermista.

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